17.7.06

GOSTAR DE HÓQUEI (1) - Barcelona1979, o meu primeiro Europeu

Ao iniciar-se mais um Europeu de Hóquei em Patins, gostaria de partilhar com os leitores as minhas mais remotas recordações da competição.
Em 1977 o torneio decorrera em Portugal (e o título ficou por cá), mais precisamente no Palácio de Cristal do Porto, mas dessa ocasião apenas me recordo vagamente de algumas fotografias em publicações da época (designadamente na revista “Equipa”), numa fase em que, apesar de já acompanhar razoavelmente o futebol, não despertara completamente para o Hóquei – ainda que me lembre, pontualmente, do Sporting se sagrar campeão europeu nesse ano em Espanha, diante do Villanueva, em jogo transmitido pela televisão na altura, e recordado há poucos dias atrás na RTP Memória.
Assim, o primeiro Europeu de Hóquei que recordo de modo mais consistente foi o de 1979, que ouvi pela rádio, pois só no Mundial de 1982 em Barcelos me recordo de ver um jogo da selecção nacional na televisão (em provas no estrangeiro, julgo que só praticamente nos anos noventa se tornou prática corrente a transmissão via TV).
A prova decorreu em Barcelona (de 17 a 24 de Novembro), no mítico Palau Blau Grana, local que, só de ouvir o nome, assusta qualquer benfiquista amante do hóquei, particularmente quem se lembre das “cabazadas” que o Glorioso de lá trazia habitualmente nas provas europeias de clubes.
Era também o primeiro Campeonato da Europa da era pós-António Livramento, uma espécie de Eusébio do Hóquei, com a diferença de ter passado pelos três grandes (no F.C.Porto apenas como treinador). A selecção nacional apresentava-se também desfalcada dos sportinguistas Sobrinho e Chana, dois dos melhores jogadores da altura, não me recordo se por lesão ou outro qualquer motivo.
A grande estrela da equipa era Cristiano (F.C.Porto, depois passaria pelo Benfica), se bem que o guarda-redes Ramalhete (na altura já no Benfica) fosse também um dos expoentes máximos daquela geração de hoquistas. José Carlos (Benfica), os irmãos Rosado (Vítor e José), o goleador Carvalho e o guardião suplente Saraiva (todos do grande Oeiras dos anos setenta), o experiente Garrancho (passou por vários clubes, mas na altura suponho que estava no Sesimbra) e os pitorescos e calvos gémeos Gomes da Costa (que jogavam na altura no Infante de Sagres, se não estou em erro) completavam o lote dos seleccionados.
A selecção portuguesa foi vencendo, como habitualmente, todos os adversários que se lhe foram colocando no caminho – à excepção da Suiça, com quem não foi além de um estranho 0-0 – até ao último jogo, num domingo à noite, já bem tarde por sinal, em que defrontou os anfitriões.
8-1 à França, 6-1 à Bélgica, 6-1 à Alemanha, 4-1 à Holanda, 0-0 com a Suiça, 4-2 à Itália, e 11-1 à Inglaterra, foram os resultados alcançados ao longo da semana, numa época em que os Europeus e Mundiais ainda se disputavam no modelo de todos contra todos.
Chegava-se então à autêntica final, pois a Espanha tinha ganho todos os jogos (14 pontos), e Portugal, como disse, empatado apenas um (13 pontos). Aos espanhóis bastava o empate. Julgo que Portugal teve de realizar dois jogos nesse dia, e que o encontro frente à Inglaterra foi jogado nessa mesma tarde, ao mesmo tempo que em Lisboa, o Benfica batia o Sporting na Luz por 3-2 para o nacional de futebol.
A equipa espanhola era constituída por elementos de grande nível, e o seu esqueleto era o do fabuloso Barcelona, campeão europeu oito vezes consecutivas por aqueles anos. O guarda-redes era o “mostro” Carlos Trullols, que dividia com Ramalhete o título de melhor do mundo. Villacorta, Vila-Puig, Torres e Centell completavam o cinco base. Torres, seria pouco tempo depois substituído por Pauls no cinco de Espanha e do Barcelona, designadamente na equipa que derrotou o Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus do ano seguinte.
A Espanha venceu por 2-1, e do relato radiofónico – como são saudosos os tempos em que todas as competições de Hóquei eram transmitidas pela rádio, designadamente a Rádio Comercial (!!) que até os jogos do Torneio de Abertura da A.P.Lisboa relatava – apenas recordo as intermináveis trocas de bola entre os dois defensores catalães, Villacorta e Vila-Puig, suponho que ainda na sua meia pista (não havia lei do anti-jogo), o que se afigurava bastante irritante para quem nesta ponta da península ibérica ouvia com ansiedade o que se ia passando.
A Espanha era mais forte e, além de campeã europeia, sagrar-se-ia campeã do mundo no ano seguinte em Talcahuano no Chile.
Eu tinha nove anos, e nesse Domingo, 23.00 h, 24 de Novembro de 1979, ouvi o jogo já deitado na cama, com um pequeno transistor na almofada. Ainda estaria para vir, três anos depois, o dia em que veria Portugal vencer um título.

8 comentários:

  1. era o fernando emílio q relatava na comercial n era? tb ouvia...um abraço

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  2. Anónimo19.7.06

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  3. Era o Fernando Emílio, e também o Abel Figueiredo, o José Augusto Marques e o Fernando Correia. Isto na Rádio Comercial.
    Na antena 1 eram normalmente o António Pedro e o Romeu Correia. Mas na Antena 1 só acompanhavam as competições europeias e as de selecções.
    Lembro-me de a Rádio Comercial fazer a cobertura das jornadas do campeonato nacional (e até do Torneio de Abertura da A.P.Lisboa) com relatores em todos os pavilhões, como se fazia e faz no futebol.

    Tenho pena de se ter perdido o elemento radiofónico que tão importante era nesta modalidade.
    Porporcionava relatos empolgantes, com grande velocidade, emoção e muitos golos.

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  4. Anónimo20.7.06

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