9.10.06

NÃO DEIXAR MORRER O HÓQUEI

Teve início neste fim-de-semana a temporada nacional de 2006-2007.
Após um defeso marcado por derrotas a toda a linha do hóquei nacional, quer na selecção principal quer nas camadas mais jovens, para além de um mundial de clubes muito pouco conseguido pelas equipas portuguesas, também o início das competições nacionais não deixa antever grandes perspectivas para a época que agora se inicia.
Consequências do Mundial ou não, a verdade é que o campeonato começou a conta-gotas, quase sem se dar por ele, com dois jogos neste fim-de-semana e o resto da jornada na próxima quarta-feira. Não se percebe o porquê de a jornada ter coincidido com a supertaça, deixando desde logo obrigatoriamente jogos em atraso.
A Supertaça, ganha pelo F.C.Porto (4-2 à Juventude de Viana) ficou ela própria marcada por vários episódios de completo amadorismo por parte das estruturas federativas, desde o inqualificável esquecimento a que foi votado António Livramento – fez incomparavelmente mais pelo hóquei que todos os dirigentes da federação juntos -, até à ausência de representantes aquando da chegada das equipas, o que originou uma série de problemas logísticos dignos de uma qualquer futebolada entre amigos.
Pior que isso, o facto de não ter sido objecto de qualquer transmissão televisiva indicia que essa será mais uma vez a regra para a nova temporada, o que vai fazer com que o hóquei se afunde ainda mais face a outras modalidades, em crescendo no plano mediático, e logo, no número de adeptos que arrastam, nomeadamente entre os mais jovens.
É tempo de esta federação dar lugar a outra, pois se muito se fala nos problemas do futebol os do hóquei não serão menos graves, com a diferença de que neste, o perigo de ruína absoluta é real.
O hóquei, desde que os tempos da rádio passaram à história – nos quais quase disputava terreno ao futebol - e a televisão iniciou o seu reinado, sentiu-se fortemente do facto de não ser um espectáculo televisivo tão conseguido como outras modalidades, tais como futsal, basquete ou volei sem falar no próprio futebol. Uma bola muito pequena e alguma dificuldade em ver os golos terão contribuído para isso, e a verdade é que nunca ninguém se preocupou com tal, por exemplo impedindo a publicidade escrita nos pisos ou procurando novas cores para a bola.
Apesar de tudo, as transmissões foram sendo feitas e a modalidade foi mantendo um nicho de adeptos, cada vez menos é certo, mas suficientes para, com maior ou menor dificuldade, a sustentar.
Ao não ceder nas negociações com as estações televisivas – pagando da mesma forma como fazem as restantes federações – a FPP está a liquidar esse nicho de adeptos, assassinando a modalidade, pois o campeonato já de si está cada vez mais concentrado numa só região do país (muito longe da dimensão geográfica, populacional, cultural e económica da Catalunha), e à maior fatia da população nacional fica dessa forma vedada a possibilidade de ver hóquei de primeira divisão.
Veremos se ainda há tempo para solucionar este decisivo aspecto, mas pelo que se tem visto a esperança é muito pouca.
Assim sendo, ser adepto de hóquei em Portugal cada vez mais se assemelha a acompanhar um defunto até ao seu enterro.

4 comentários:

  1. Absolutamente fantástico. Se não acordarmos depressa e não os mandarmos de lá para fora, com certeza que vamos acompanhar o hóquei à morte

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  2. Lamentavelmente é assim.

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  3. Concordo com quase tudo o que aqui foi dito. O Hóquei está muito pobrezinho e já não arrasta as multidões de outrora. Deve ter muito a ver com o amadorismo de quem dirige a modalidade; o Hóquei é feito à base de carolice; falta o profissionalismo de outras modalidades.

    Quanto às transmissões televisivas, não acho que a cor do piso ainda seja um entrave; em Barcelos, Fânzeres, Viana, Azeméis e na Luz, os pisos são bastante bonitos e claros em contraste com a bola negra.

    http://rollerbarcelos.blogspot.com

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  4. Roller,

    As cores talvez não, nesses exemplos que refere.
    Contudo, muitos deles apresentam (ou apresentavam, quando havia transmissões) publicidade inscrita na própria pista, o que prejudicava bastante o espectáculo.

    Contudo, o mais importante prende-se com a total incúria na negociação das transmissões, por parte daqueles que deveriam ser os primeiros a defender a modalidade.

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